Blog

A língua escrita nunca foi tão viva

A tecnologia traz em si um complexo jogo de possibilidades ao uso do texto, algumas dessas consideradas por muitos como “banal” com “agrave” da criação de uma nova normativa fora do padrão culto da língua… Mas, não é só isso. Porem, partindo desse ponto, mais pessoas tem acesso a conteúdo escrito, leem mais e também escrevem mais, tornando a linguagem escrita mais viva que nunca.

Se falarmos da academia, nunca foi tão fácil acessar a produção acadêmica, como exemplo a plataforma Pantheon da UFRJ (pantheon.ufrj.br). Semelhantes a muitas outras universidades pelo mundo, se disponibiliza gratuitamente e de fácil acesso “relatórios técnicos a teses de doutorado, passando por trabalhos de conclusão de curso, patentes e dissertações de mestrado”.

E o plágio!? Pode até ser mais fácil de fazer, mas é extremamente mais fácil de descobrir. A partir do momento que o texto está indexado em plataformas de busca na internet, com um fragmento do que foi escrito é possível achar a obra original, logo à segurança da autoria tem hoje uma grande aliada…

E nós da Ar Editora fazemos com que textos digitados se tornem livros, passando pelo processo de editoração eletrônica, gerando uma “matriz digital” (um arquivo PDF configurado para a impressão) e por fim a impressão por demanda. Sem necessidade de fotolitos ou chapas… Tecnologia que facilita que um crescente catálogo de títulos impressos (aquele livro com cheirinho de papel novo) chegue à mão dos leitores.

A explosão de eventos literários no Brasil

Uma das últimas medidas tomadas pela então Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, foi a alteração na Lei Rouanet, uma lei da década de 1990 que permite empresas e pessoas físicas ao investirem em Cultura, deduzirem esses valores nos seus impostos de renda. Uma alteração num artigo da lei que tornou os investimentos em feiras, festivais e afins, 100% dedutivos nos impostos de renda, levou principalmente as empresas a investirem mais em tais eventos resultando numa explosão de eventos literários no Brasil. Para se ter uma ideia da dimensão, em janeiro deste ano já estava programado para ocorrer no Brasil mais de 300 eventos ligados à literatura.

O fato curioso é que um país que não tem característica de ser leitor como o Brasil, onde a média de leitura é de apenas 1,7 livros por ano, apresenta a cada ano um aumento do número de eventos literários que não faz distinção do porte do município para ocorrer. Vale salientar que no passado os eventos literários eram praticamente restritos aos grandes municípios do eixo Rio de Janeiro – São Paulo e que ainda tinham um caráter mais elitizado, ocorrendo em colégios particulares, clubes, centros culturais entre outros.

Os atuais eventos literários ocorrem em diversos municípios brasileiros, inclusive naqueles onde há menor oferta de livrarias, de bibliotecas e, portanto, de livros, numa tentativa de despertar o interesse das pessoas pela literatura e alterar a realidade local. Assim, observamos que os eventos literários já começaram a ocupar um papel antes ocupado pelas bibliotecas no que se refere ao estímulo à leitura, haja vista que são eventos atrativos por reunirem uma série de atividades tendo como foco a literatura e os livros.

A cidade quando organiza e recebe um evento literário, atrai a atenção da população, principalmente a local, que começa a se sentir estimulada a ler, ao ouvir o que um escritor tem a dizer, a ouvir uma declamação de poema ou a leitura de um conto, por exemplo. Várias vezes eu presenciei alguns amigos e parentes que não se interessavam muito pela leitura, passarem a lerem mais porque participaram de um evento literário comigo onde puderam comprar um livro direto com um escritor ou que escutaram um escritor explicar sobre a sua obra.

Mas para alguns escritores há um lado negativo em relação à explosão de eventos literários no Brasil. Eles temem que o escritor não será mais avaliado pela qualidade do seu texto, da sua obra, e sim, pela forma com que ele interage com o público num bate-papo ou numa apresentação num evento. Ou seja, foi engraçado, fez a plateia chorar de rir ou chorar de emoção, o livro vende! Agora, o escritor, mesmo que tenha um belo livro, mas que é tímido e devido à essa condição não conseguiu ter uma boa desenvoltura na sua fala e uma boa performance no palco, por exemplo, o livro não vende!

Outros se preocupam com a ideia de que muitos que frequentam os eventos literários estão mais preocupados em conhecer a pessoa e não o trabalho da pessoa como escritor, ou seja, para esses, há uma massa de interessados em não conhecer a literatura desses escritores, mas sim, as suas ideias, o seu senso de humor ou não, as suas histórias de vida, as alegrias, os desafios, os dissabores, os fatos curiosos e outro não, entre outros, enquanto o interesse pela produção literária do autor, que muitos consideram mais importante que a vida privada do escritor, fica relegado a um segundo patamar.

Acredito que as feiras, festas, salões de leitura, bienais, jornadas e festivais têm muito mais aspectos positivos do que negativos e são, sem dúvida, um meio poderoso de disseminar para os não-leitores a leitura e para aqueles que já são leitores, o fortalecimento dessa prática.

Ressalto também a importância desses eventos literários para os escritores independentes, haja vista que muitos deles oferecem alguns espaços para eles participarem e divulgarem as suas obras.

Imagino o quanto o país mudaria, em diversos aspectos, se acontecesse um evento literário em cada um dos 5.570 municípios brasileiros. Teríamos 5.570 eventos! Nunca na história desse país, como diria o ex-presidente Lula, o livro teria um protagonismo tão importante. Que espalhem mais eventos literários pelo Brasil!

 

O ideal do crítico

machado2Texto de  Machado de Assis

Publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, 8/10/1865.

Fonte: http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/critica/mact13.pdf

Exercer a crítica, afigura-se a alguns que é uma fácil tarefa, como a outros parece igualmente fácil a tarefa do legislador; mas, para a representação literária, como para a representação política, é preciso ter alguma coisa mais que um simples desejo de falar à multidão. Infelizmente é a opinião contrária que domina, e a crítica, desamparada pelos esclarecidos, é exercida pelos incompetentes.

São óbvias as conseqüências de uma tal situação. As musas, privadas de um farol seguro, correm o risco de naufragar nos mares sempre desconhecidos da publicidade. O erro produzirá o erro; amortecidos os nobres estímulos, abatidas as legítimas ambições, só um tribunal será acatado, e esse, se é o mais numeroso, é também o menos decisivo. O poeta oscilará entre as sentenças mal concebidas do crítico, e os arestos caprichosos da opinião; nenhuma luz, nenhum conselho, nada lhe mostrará o caminho que deve seguir, — e a morte próxima será o prêmio definitivo das suas fadigas e das suas lutas.

Chegamos já a estas tristes conseqüências? Não quero proferir juízo, que seria temerário, mas qualquer pode notar com que largos intervalos aparecem as boas obras, e como são raras as publicações seladas por um talento verdadeiro. Quereis mudar esta situação aflitiva? Estabelecei a crítica, mas a crítica fecunda, e não a estéril, que nos aborrece e nos mata, que não reflete nem discute, que abate por capricho ou levanta por vaidade; estabelecei a crítica pensadora, sincera, perseverante, elevada, — será esse o meio de reerguer os ânimos, promover os estímulos, guiar os estreantes, corrigir os talentos feitos; condenai o ódio, a camaradagem e a indiferença, — essas três chagas da crítica de hoje, — ponde em lugar deles, a sinceridade, a solicitude e a justiça, — é só assim que teremos uma grande literatura.

É claro que a essa crítica, destinada a produzir tamanha reforma, deve-se exigir as condições e as virtudes que faltam à crítica dominante; — e para melhor definir o meu pensamento, eis o que eu exigiria no crítico do futuro.

O crítico atualmente aceito não prima pela ciência literária; creio até que uma das condições para desempenhar tão curioso papel, é despreocupar-se de todas as questões que entendem com o domínio da imaginação. Outra, entretanto, deve ser a marcha do crítico; longe de resumir em duas linhas, — cujas frases já o tipógrafo as tem feitas, — o julgamento de uma obra, cumpre-lhe meditar profundamente sobre ela, procurar-lhe o sentido íntimo, aplicar-lhe as leis poéticas, ver enfim até que ponto a imaginação e a verdade conferenciaram para aquela produção. Deste modo as conclusões do crítico servem tanto à obra concluída, como à obra em embrião. Crítica é análise, — a crítica que não analisa é a mais cômoda, mas não pode pretender a ser fecunda.

Para realizar tão multiplicadas obrigações, compreendo eu que não basta uma leitura superficial dos autores, nem a simples reprodução das impressões de um momento; pode-se, é verdade, fascinar o público, mediante uma fraseologia que se emprega sempre para louvar ou deprimir; mas no ânimo daqueles para quem uma frase nada vale, desde que não traz uma idéia, — esse meio é impotente, e essa crítica negativa.

Não compreendo o crítico sem consciência. A ciência e a consciência, eis as duas condições principais para exercer a crítica. A crítica útil e verdadeira será aquela que, em vez de modelar as suas sentenças por um interesse, quer seja o interesse do ódio, quer o da adulação ou da simpatia, procure produzir unicamente os juízos da sua consciência. Ela deve ser sincera, sob pena de ser nula. Não lhe é dado defender nem os seus interesses pessoais, nem os alheios, mas somente a sua convicção, e a sua convicção, deve formar-se tão pura e tão alta, que não sofra a ação das circunstâncias externas. Pouco lhe deve importar as simpatias ou antipatias dos outros; um sorriso complacente, se pode ser recebido e retribuído com outro, não deve determinar, como a espada de Breno, o peso da balança; acima de tudo, dos sorrisos e das desatenções, está o dever de dizer a verdade, e em caso de dúvida, antes calá-la, que negá-la.

Com tais princípios, eu compreendo que é difícil viver; mas a crítica não é uma profissão de rosas, e se o é, é-o somente no que respeita à satisfação íntima de dizer a verdade. Das duas condições indicadas acima decorrem naturalmente outras, tão necessárias como elas, ao exercício da crítica. A coerência é uma dessas condições, e só pode praticá-la o crítico verdadeiramente consciencioso. Com efeito, se o crítico, na manifestação dos seus juízos, deixa-se impressionar por circunstâncias estranhas às questões literárias, há de cair freqüentemente na contradição, e os seus juízos de hoje serão a condenação das suas apreciações de ontem. Sem uma coerência perfeita, as suas sentenças perdem todo o vislumbre de autoridade, e abatendo-se à condição de ventoinha, movida ao sopro de todos os interesses e de todos os caprichos, o crítico fica sendo unicamente o oráculo dos seus inconscientes aduladores.

O crítico deve ser independente, — independente em tudo e de tudo, — independente da vaidade dos autores e da vaidade própria. Não deve curar de inviolabilidades literárias, nem de cegas adorações; mas também deve ser independente das sugestões do orgulho, e das imposições do amor próprio. A profissão do crítico deve ser uma luta constante contra todas essas dependências pessoais, que desautoram os seus juízos, sem deixar de perverter a opinião. Para que a crítica seja mestra, é preciso que seja imparcial, — armada contra a insuficiência dos seus amigos, solícita pelo mérito dos seus adversários, — e neste ponto, a melhor lição que eu poderia apresentar aos olhos do crítico, seria aquela expressão de Cícero, quando César mandava levantar as estátuas de Pompeu: — “É levantando as estátuas do teu inimigo que tu consolidas as tuas próprias estátuas”.

A tolerância é ainda uma virtude do crítico. A intolerância é cega, e a cegueira é um elemento do erro; o conselho e a moderação podem corrigir e encaminhar as inteligências; mas a intolerância nada produz que tenha as condições de fecundo e duradouro.

É preciso que o crítico seja tolerante, mesmo no terreno das diferenças de escola: se as preferências do crítico são pela escola romântica, cumpre não condenar, só por isso, as obras-primas que a tradição clássica nos legou, nem as obras meditadas que a musa moderna inspira; do mesmo modo devem os clássicos fazer justiça às boas obras dos românticos e dos realistas, tão inteira justiça, como estes devem fazer às boas obras daqueles. Pode haver um homem de bem no corpo de um maometano, pode haver uma verdade na obra de um realista. A minha admiração pelo Cid não me fez obscurecer as belezas de Ruy Blas. A crítica que, para não ter o trabalho de meditar e aprofundar, se limitasse a uma proscrição em massa, seria a crítica da destruição e do aniquilamento.

Será necessário dizer que uma das condições da crítica deve ser a urbanidade? Uma crítica que, para a expressão das suas idéias, só encontra fórmulas ásperas, pode perder as esperanças de influir e dirigir. Para muita gente será esse o meio de provar independência; mas os olhos experimentados farão muito pouco caso de uma independência que precisa sair da sala para mostrar que existe.

Moderação e urbanidade na expressão, eis o melhor meio de convencer; não há outro que seja tão eficaz. Se a delicadeza das maneiras é um dever de todo homem que vive entre homens, com mais razão é um dever do crítico, e o crítico deve ser delicado por excelência. Como a sua obrigação é dizer a verdade, e dizê- la ao que há de mais suscetível neste mundo, que é a vaidade dos poetas, cumpre-lhe, a ele sobretudo, não esquecer nunca esse dever. De outro modo, o crítico passará o limite da discussão literária, para cair no terreno das questões pessoais; mudará o campo das idéias, em campo de palavras, de doestos, de recriminações, — se acaso uma boa dose de sangue frio, da parte do adversário, não tornar impossível esse espetáculo indecente.

Tais são as condições, as virtudes e os deveres dos que se destinam à análise literária; se a tudo isto juntarmos uma última virtude, a virtude da perseverança, teremos completado o ideal do crítico.

Saber a matéria em que fala, procurar o espírito de um livro, descarná-lo, aprofundá-lo, até encontrar-lhe a alma, indagar constantemente as leis do belo, tudo isso com a mão na consciência e a convicção nos lábios, adotar uma regra definida, a fim de não cair na contradição, ser franco sem aspereza, independente sem injustiça, tarefa nobre é essa que mais de um talento podia desempenhar, se se quisesse aplicar exclusivamente a ela. No meu entender é mesmo uma obrigação de todo aquele que se sentir com força de tentar a grande obra da análise conscienciosa, solícita e verdadeira. Os resultados seriam imediatos e fecundos. As obras que passassem do cérebro do poeta para a consciência do crítico, em vez de serem tratadas conforme o seu bom ou mau humor, seriam sujeitas a uma análise severa, mas útil; o conselho substituiria a intolerância, a fórmula urbana entraria no lugar da expressão rústica, — a imparcialidade daria leis, no lugar do capricho, da indiferença e da superficialidade.

Isto pelo que respeita aos poetas. Quanto à crítica dominante, como não se poderia sustentar por si, — ou procuraria entrar na estrada dos deveres difíceis, mas nobres, — ou ficaria reduzida a conquistar de si própria, os aplausos que lhe negassem as inteligências esclarecidas.

Se esta reforma, que eu sonho, sem esperanças de uma realização próxima, viesse mudar a situação atual das coisas, que talentos novos! que novos escritos! que estímulos! que ambições! A arte tomaria novos aspectos aos olhos dos estreantes; as leis poéticas, — tão confundidas hoje, e tão caprichosas, — seriam as únicas pelas quais se aferisse o merecimento das produções, — e a literatura alimentada ainda hoje por algum talento corajoso e bem encaminhado, — veria nascer para ela um dia de florescimento e prosperidade. Tudo isso depende da crítica. Que ela apareça, convencida e resoluta, — e a sua obra será a melhor obra dos nossos dias.

Mais do que 5 características

O livro escrito por Alan Dornales e publicado pela Ar Editora, tem o objetivo de apresentar ao leitor as 5 características para tornar-se uma pessoa agradável, mas faz mais do que isso ao apresentar ao longo das suas 87 páginas, muitas outras características – que estão, digamos, por detrás das cinco escolhidas – que tem a possibilidade de tornar qualquer pessoa mais agradável.

capa

Todas as características são baseadas na Bíblia Sagrada. Assim, o leitor encontrará um texto com muitas citações bíblicas que fundamentam as ideias do autor, mas isso não se torna maçante, pelo contrário, o autor faz uma boa dosagem das passagens bíblicas.

O que o leitor encontrará no livro são características fáceis de serem seguidas. Ao esmiuçar cada característica, o autor mostra que “dentro” de cada uma delas há outras que também precisamos observar, logo, são mais de cinco que cada pessoa precisa perseguir no seu cotidiano para se tornar mais agradável.

O leitor que não é cristão poderá sentir dificuldade na leitura, já que se deparará a todo o momento com citações bíblicas e exemplos retirados da vida de Jesus Cristo. Já os que professam a fé em Cristo e em Deus, se sentirão mais confortáveis com a leitura do livro, escrito de forma objetiva e clara.

Se cada leitor seguir os conselhos escritos por Alan Dorneles, sem dúvida, poderemos viver num mundo mais harmonioso, cuja tônica será o respeito e o amor ao próximo.

Pode-se retirar da Bíblia e da vida de Jesus Cristo, muitos conselhos para que vivamos bem e melhor e o autor foi muito feliz ao garimpar e selecionar no meio de tantos escritos e conselhos, aqueles que abrem a possibilidade para nós nos tornarmos pessoas mais agradáveis.

Se interessou pelo livro? Ele está disponível para a venda no site da Ar Editora: http://www.areditora.com.br/produto/5-caracteristicas-para-tornar-se-uma-pessoa-agradavel/

Manifesto de ruptura da Ar editora com o mercado tradicional do livro

infoManifestoA Ar Editora iniciou suas atividades para atender o autor desamparado das editoras que dominam esse mercado, prestando-lhes serviços de qualidade adequado a custos justos, resultando em livros devidamente publicados, respeitando, assim, o autor e o leitor, indiscriminadamente.

Hoje, a Ar Editora se consolida orgulhosa e eticamente como empresa, já tendo completado 31 meses de atividade desde sua fundação. Nesse período, podemos afirmar que muito conhecimento já tem sido adquirido na prática, observando outras empresas, dialogando com pares e ouvindo.

A prática, observação e diálogo mostrou que empreendimentos como a Ar Editora são os principais entrantes de novos autores brasileiros e a única oportunidade real, para a maioria, de terem seus manuscritos publicados. Logo, pode-se dizer que a Ar Editora tem grande vocação para defender a bibliodiversidade brasileira.

Um divisor de águas, muito por confirmar e racionalizar algumas questões antes percebidas, é a pesquisa de Leonardo Bastos e Denise Fleck “Indústria Editorial de livros no Brasil – Análise panorâmica de seu crescimento”, encomendado pelo SNEL à COPPEAD.

 

Pontos incômodos e limitadores

Livrarias

Como esclarecido por Bastos e Fleck (COPPEAD, 2014), as livrarias estão com estoques e prateleiras abarrotadas de falsos best-sellers. Há grandes apostas das editoras em sucessos estrangeiros, no entanto volumes de encalhe destes têm sido cada vez maior. Nesse aspecto, é possível destacar que esse fato se dá por um crescimento vertiginoso de novos títulos, pela falta de gestão estratégica, por problemas de controle da logística e pela incapacidade de se adaptar a novas demandas.

Orçamento para a publicação

Os títulos que a Ar Editora têm publicado até o momento são os que os grandes players deste mercado não apostaram. Hoje, a maneira encontrada pela Ar Editora para permitir que esses livros saiam da gaveta e sigam para o mercado é ofertar ao autor um orçamento enxuto para custear a publicação de seu livro. Essa prática gera um projeto com orçamento ínfimo, incapaz de custear a promoção do livro. O resultado, no entanto, é que o livro fica invisível no grande mercado livreiro, sendo encontrado ocasionalmente pela menor parcela de seus potenciais leitores.

Movimentos de ruptura com o tradicional e inovação a favor do novo livro

Atualmente, vivemos em um cenário de cultura e informação muito dinâmicas.  Tudo pode ser publicado, mesmo assim, a grande mídia ainda dita o que terá destaque em seus canais. As pessoas, mesmo as mais humildes, leem e escrevem cada vez mais. Esses dois pontos levantados estão entre as características positivas da grande e rápida evolução que a internet causa em nossa sociedade. Essas mudanças interferem sobremaneira nas dinâmicas de consumo, interação, comunicação e leitura. Sendo assim, percebe-se que se faz necessário criar uma nova dinâmica, capaz de fomentar um novo panorama do mercado editorial. Além disso, é importante quebrar com o paradigma etnocêntrico que se tem observado em relação à autoria de livros, dando, assim, voz a outros atores sociais.

Fonte de recursos

Acreditamos que a sociedade deva ser integrada na seleção de títulos, partindo do questionamento e da prática: “Você investiria neste livro?”. Assim, o processo de construção de nossa bibliodiversidade se tornaria mais democrático e dinâmico.

B2B – De empresa para empresa

Nos dias de hoje, no Brasil, há Leis de incentivo fiscal à cultura, que estão presentes em todas as esferas do poder, assim como os referentes impostos. Ressalta-se que um projeto aprovado por um dos gestores públicos responsáveis de operar a execução de uma Lei de incentivo fiscal à cultura pode trazer benefícios a todos os envolvidos:

– Empresa doadora: Poderá deduzir até 100% do valor investido no projeto cultural de seu imposto devido;

– Empresa proponente: O estado estabelece garantias que zelem pelo interesse de todos, tornando o projeto mais confiável;

– Governo: As empresas (doadora e proponente) fazem parte de seu trabalho, um selecionando e fiscalizando um projeto válido, e o outro executando o projeto;

– População: Tem um retorno direto dos impostos com os quais indiretamente contribui.

Um projeto financiado por uma Lei de incentivo fiscal poderá ter um grande aporte financeiro.

 

P2P – De pessoa para pessoa

Uma das dinâmicas melhor formatada para esse tipo de patrocínio é o crowdfunding, que é uma consequência da revolução causada pela internet. A proposta base é:

  • O proponente, no caso o autor junto à editora, apresenta um projeto com opções de valores para serem patrocinados e uma referente contrapartida;
  • As pessoas que vierem a se interessar pelo projeto investem por desejarem seu sucesso ou a contrapartida ofertada;
  • Caso se atinja o valor mínimo, este será repassado ao proponente para executar o projeto e entregar as contrapartidas, mas caso o referente valor não seja alcançado, a plataforma se compromete em devolver o valor aos investidores.

Uma das questões mais interessantes é o fato de que fazer uma campanha de crowdfunding bem sucedida promoverá o livro, validando-o no mercado. O valor captado, entretanto, é limitado. Dentre os limitadores estão: a disponibilidade financeira dos investidores, a rede de contato do proponente e a capacidade do projeto de motivar a sociedade.

 

Do autor

Se o autor acredita na sua obra e opta por financiar a publicação, a Ar Editora continuará apoiando este gesto nobre e corajoso de publicar o próprio livro.

Produção e logística

A Indústria Editorial de Livros no Brasil subutiliza as novas tecnologias para gerir a produção e a disponibilidade de seus livros, dito com base no artigo de Bastos e Fleck (COPPEAD, 2014). A sociedade e o panorama da cultura brasileira estão crescendo e se tornando mais abrangentes e complexos, logo entendemos que a indústria editorial deva se recompor a essa nova realidade. Para tanto, torna-se necessário aproveitar as oportunidades das novas tecnologias.

Distribuição (Impressão e logística)

Hoje, com as novas tecnologias, é possível incluir a gráfica no processo de distribuição do livro. A Ar Editora enxerga essa possibilidade como uma base estratégica para formatar o processo Just in Time do livro. Acreditamos que se é possível imprimir poucos exemplares, ou mesmo um exemplar de um título a custo competitivo, em outras palavras, estocar livros se torna um custo dispensável.

Para tornar essa hipótese válida será preciso ter um controle rápido e preciso da posição de cada exemplar. A base deste conceito é o “Sistema Toyota de produção”, no qual se transfere, frente ao conceito original, o foco de entrega de insumos à linha de produção para o produto ao Ponto De Venda (PDV). Deve-se centralizar a informação de quais gráficas estão aptas a imprimir o título, qual título já está impresso, quantos exemplares, quais posições, qual custo e tempo de sua transferência de um PDV para outro; há quanto tempo o exemplar está parado na referente posição, etc. Espera-se que esta nova abordagem da produção permita que o acesso ao livro seja ampliado, simplifique a gestão comercial de catálogos maiores e que o custo final do livro seja reduzido.

Promoção e venda

Um título de livro não é um produto de massa. Deve-se ter mecanismos para alcançar o nicho de potenciais leitores.

Mídias sociais

Livro é informação, conteúdo, lazer etc, logo é apto a interagir em redes sociais com a  circulação de fragmentos de seu conteúdo e ideias entre seu público alvo. Uma campanha nestas mídias ou mesmo pequenas ações virais sobre o livro poderão potencializar a venda do título em qualquer etapa, da captação de recursos até a venda direta de um exemplar.

Mídias tradicionais

Um limitador para seu uso é a dificuldade de acesso, requerendo um convite ou um alto custo publicitário. São, porém, mídias de grande importância na formação de opinião e divulgação de massa.

Outras maneiras de se consumir um livro

No Brasil, praticam-se, em volume significativo, apenas duas opções: venda em livrarias e empréstimo em bibliotecas. Mais a frente, o tema sobre pontos de venda alternativos será abordado.

  • Locação de livros: processo que se assemelha mais à locação de veículos do que às antigas vídeos-locadoras. O cliente paga uma quantia pelo aluguel do livro e enquanto estiver em posse do bem alugado manterá uma garantia capaz de ressarcir o possível prejuízo com a perda do bem.
  • Clube do livro: trata-se de uma instituição na qual o leitor pode se associar, mas terá de contribuir com uma taxa mensal para ter o direito de tomar livros emprestados.

Livrarias físicas

A livraria física, assim como toda loja física, vem sofrendo uma transformação na sua função social. Vemos que a transformação destas livrarias reorganizará sua atuação comercial para a seguinte lista de prioridades:

  1. Exposição de livros;
  2. Consulta e interação com o catálogo;
  3. Venda de livros;
  4. Estoque;
  5. Suporte à logística;
  6. “Balcão” de suporte ao e-commecer.

Transferir novas incumbências às livrarias poderá ser uma forma de manter a viabilidade financeira destes estabelecimentos.

Pontos de venda alternativos

Os pontos de venda alternativos podem assumir todas as funções de uma livraria física, restringindo-se a sua capacidade operacional, sua aproximação de sua atividade primária à venda de livros e o interesse de seu gestor de assumir os referentes papéis. Alguns exemplos de possíveis pontos de venda alternativos:

  • Banca de jornal.
  • Máquina automática de livros.
  • Displays em restaurantes, cafés, pubs.
  • Stands ou máquinas automáticas em aeroportos, rodoviárias e estações, etc.

 

Livrarias e-commecer

Percebemos que há futuro para duas formatações de e-livrarias:

  • Grandes magazines populares.
  • Livrarias on-line com temática superespecializada.

As grandes magazines do livro têm o poder de ser em si um produto para a massa de consumidores, mesmo o livro sendo incapaz de atingir esta massa.

Já a livraria superespecializada tem o objetivo de conectar uma determinada temática ao seu referente nicho de leitores interessados. Por exemplo, se existir uma livraria superespecializada em História do Brasil, poderá concentrar historiadores, nacionais e internacionais, que pesquisem História do Brasil, da América Latina e das Américas… Este selo livreiro poderá ser utilizado para promover as publicações nas mídias, nos eventos setorizados e outras possibilidades, viabilizando a promoção destes livros.

Acreditamos que a livraria superespecializada é viável, pois é possível ter várias frentes temáticas compartilhando uma única estrutura tecnológica, gerencial e de logística.

Considerações finais

Acreditamos que esse movimento é possível de acontecer a partir dos players menores e mais frágeis para os maiores e mais fortes. Essas rupturas terão a capacidade de tornar grupos de empresas mais fortes e competitivas, porém, como criará novas forças neste mercado, os grandes players que forem capazes de enxergar este movimento também se inserirão nele. Isso poderá ser benéfico a todos.

As empresas que queiram se inserir neste movimento deverão estar abertas à inovação e à colaboração. Novas tecnologias e dinâmicas serão utilizadas. Dentre estas novas dinâmicas, será necessário compartilhar informações entres os demais agentes do mercado.

Para acontecer, teremos de iniciar. O lucro não deve ser o objetivo, e sim a consequência.

 

 

Leitura foi a atividade cultural mais praticada pelos brasileiros em 2013

A leitura de livros foi a atividade ligada à cultura mais praticada pelo brasileiro em 2013. Esse foi o resultado da pesquisa da Fecomércio (RJ) divulgada no início do mês de março sobre os hábitos culturais dos brasileiros. De acordo com o estudo, 35% dos entrevistados citaram a leitura de livros como a principal atividade cultural realizada.

O economista Christian Travassos disse ao jornal “O Tempo” que a leitura aparece como a principal atividade desde o início do levantamento, em 2007. Com o crescimento econômico, o ano de 2010 obteve os melhores resultados, não se mantendo nos anos de 2011 e 2012. Já em 2013, houve um retomada das atividades culturais em geral. Segundo Travassos, isso se deveu aos sucessos editoriais que se popularizaram no país, promoções culturais e parcerias entre empresas no segmento cultural.

Apesar do resultado positivo, o índice de brasileiros que disseram não ter lido nenhum livro no ano passado foi de 59%, alegando não ter o hábito da leitura. Os que afirmaram não gostar de ler ou que preferem outras atividades culturais foram 32%, enquanto que 7% informaram não ter condições financeiras para pagar pelos livros ou acham os preços muito altos.

O estudo da Fecomércio/RJ entrevistou mil pessoas em 70 municípios brasileiros.

Preocupante
Já outro estudo, que ouviu 2.400 pessoas em 150 municípios brasileiros, realizado pelo Sesc em parceria com a Fundação Perseu Abramo, revelou um dado preocupante. Um em cada três brasileiros nunca leu um livro. A pesquisa, divulgada no dia 14 do último mês de abril, procurou saber também sobre outras atividades culturais realizadas pelos brasileiros, como televisão, internet, ida a museus, espetáculos, entre outros.

ABL divulga vencedores de prêmios literários

A Academia Brasileira de Letras divulgou na segunda-feira (7) os vencedores dos prêmios literários por obras publicadas em 2013. O Machado de Assis, prêmio mais importante da ABL e o único pelo conjunto da obra, foi entregue ao cientista político e professor pernambucano Vamireh Chacon. O autor de livros como História dos partidos brasileiros, Gilberto Freyre – Uma biografia intelectual e A grande Ibéria vai receber R$ 100 mil.

img_Academia-Brasileira-de-Letras-e-Ibram-firmam-acordo

Os outros vencedores por categorias vão levar R$ 50 mil cada. Confira os nomes:

Poesia: Gabriel Nascente, pelo livro A biografia da cinza.

Ficção: Luiz Vilela, por Você verá.

Ensaio e Crítica Literária: João Cezar de Castro Rocha, por Machado de Assis: Por uma poética da emulação.

Infantojuvenil: empate entre Tatiana Salem Levy, por Tanto mar, e Mirna Pinsky, por Um menino, sua amiga, um fichário e dois preás.

Tradução: Safa Jubran por E nós cobrimos seus olhos.

História e Ciências Sociais: Lilia Moritz Schwarcz, por Batalha do Avaí.

Cinema: Matthew Chapman e Julie Sayres, pelo roteiro de Flores raras, de Bruno Barreto.

Filmes baseados em livros

Ultimamente as produtoras de filmes, principalmente as norte-americanas, têm desenvolvidos filmes a partir de livros publicados que  já alcançaram um sucesso considerável no mercado editorial.Ponto cine e livros

A ideia é que se o livro fez sucesso nas vendas, tornando-se muitas vezes um best-seller, essa expectativa também é transferida para um filme, que pode confirmar no cinema o sucesso obtido nas livrarias.

Outro ponto também é a economia de tempo que as produtoras têm ao fazer um filme baseado num livro, haja vista que a história já está pronta para ser roteirizada e filmada e não precisa, portanto, ser criada “do zero”.

Daí o lançamento cada vez maior de filmes baseados em livros e um nicho pouco explorado pelas editoras e pelos livreiros quando esses filmes chegam para ser exibidos no circuito. Muitos dos espectadores dos filmes não têm conhecimento que ele é baseado numa obra literária. Outros sabem disso, mas não tem interesse em ler a obra que originou o longa metragem, talvez por falta de incentivo/interesse para a compra do livro.

Há uma forma de valorizar e promover a leitura, bastando possibilitar que os espectadores dos filmes pudessem, ao saírem dos cinemas, comprarem os respectivos livros que deram origem aos filmes. Daí a necessidade dos cinemas promoverem campanhas com as editoras dos livros e/ou com as livrarias dos shoppings onde os cinemas estão instalados.

Inúmeras vezes saí do cinema com vontade de ler o livro e cacei uma livraria no shopping até encontrar um exemplar. Em todas às vezes, mesmo o filme estando em cartaz, os livreiros e as editoras não fizeram um comercial sobre o livro, expondo na vitrine ou não concedendo um desconto para quem o assistiu.

Assim, sugiro que as editoras e as livrarias, na próxima vez que um filme baseado numa obra estiver em cartaz, que o livro seja oferecido dentro do cinema a um preço mais camarada para aquele que o assistirá ou então que o espectador apresente o tíquete confirmando que ele assistiu ao filme e ganhe um desconto na compra da obra.

Iniciativas como as sugeridas acima poderiam alavancar as vendas das livrarias, dos cinemas e das editoras, mas mais do que isso, poderiam aumentar a pífia quantidade de livros que os brasileiros leem.